ADJAHUTO:

 

Em Tado, uma aldeia do Togo localizada próxima ao rio Mono, no oeste da África, conta-se sobre um deus nascido da pantera negra. É a lenda de Adjahuto.

Segundo dizem, a pantera macho (agusu) teve relações com a mulher do rei de Tado. Daí nasceu Adjahuto. Seu nome significa “o matador de Adja”, pois foi ele quem matou seu irmão Adja, na luta pela sucessão do reino de Tado.

As esposas de Adjahuto eram chamadas de kposi (esposas de leopardo) e seus filhos, denominados kpovi (filhos de leopardo).

Adahuto é considerado por Verger como o fundador das dinastias reais de Allada, Porto Novo e Abomé.

São seus descendentes Dako Donu e Te Agbanlin, que após uma briga, já no século XVII, separaram-se. O primeiro fundou o reino de Abomé e o segundo, o Porto Novo.

O túmulo de Adjahuto foi construído em uma floresta próxima a Togudo, onde pode ser visto o palácio real de Alladá.

Adjahuto foi divinizado após sua morte e até hoje é cultuado naquela região da África. Seu templo foi erguido em uma localidade bastante sinistra, na gruta Togudo, 3 quilômetros ao sul da cidade, onde ele teria desaparecido.

As cerimônias em louvor a Adjahuto são realizadas em agosto. Nesta época, acontecem procissões em sua memória. Ao final, são postas junto ao seu túmulo as esculturas de metal feitas para homenagear os reis, conhecidas como “asen”, onde são lavadas pelas mãos das sacerdotisas, que trazem as águas do rio Sodji para esta tarefa.

Os “asen” são obras típicas da região do Benin, preparadas por artistas com a finalidade de honrar os mortos e facilitar a interação entre os vivos e os mortos.

No Brasil, o culto a Adjahuto teve força na Bahia, junto aos Terreiros Jêje. Porém, manteve-se apenas na Casa das Minas, em São Luis do Maranhão, onde é considerado o vodun pantera e é saudado pela frase: “Adjahuto ja la da na”.

Este vodun, embora velho, jamais se abaixa, pois se considera muito poderoso e por ser a própria pantera negra, não admite submissão aos homens.