ILÊ IFÉ: O início

Alguns pesquisadores dizem que a formação de Ifé, se deu em função de populações que migraram do alto do Nilo. Outras versões, no entanto, contam que os ifés descendem dos banis Canaã da tribo Nimrod do Iraque, que expulsos, atravessaram o Egito e a Etiópia até chegarem ao sudoeste da atual Nigéria.

Conforme teoria de Albert Paul Dahoui, um grupo de aksumitas, meroítas e nobas liderados por Olunwi, fugidos dos exércitos judeus, migrou para o sudoeste africano, vindo se instalar em Okeorá. Okeorá era governada pelo rei (oba) Owerê. Este carregava o título de Obatalá, pois era descendente do patriarca Adjalá (o 1º Obatalá – rei do pano branco).

Okeorá era, a esta altura, uma cidade decadente, guardando a remota lembrança do seu apogeu no comércio dos produtos da forja de ferro, nos idos de 450 AC.

Olunwi prestou reverência ao rei, jurou-lhe obediência e presenteou-lhe com bens, gado e outras riquezas, selando assim seu pacto.

Anos se passaram até que Okeorá entrou em colapso devido à seca. Com isso, Olunwi e Obatalá resolveram levar seu povo em busca de uma nova terra.

Subiram do sudoeste em direção ao sul. Após longa peregrinação, travessias e perigos, resolveram se estabelecer em um local aprazível, em formato de vale, circundado por belos morros, revestidos das florestas equatoriais, de onde brotava água em abundância, justamente por quedar-se na confluência dos rios Níger e Benué. Era também um local estratégico, pois não ficava na rota das lutas tribais, nem era próximo demais dos belicosos igbôs, estes mais a leste do Níger.

Depois de tantas dificuldades, Obatalá teria escolhido o nome da terra onde ergueriam sua nova morada: Ilê Nfé (a morada permanente), donde veio a contração: Ilê Ifé, ou simplesmente Ifé.

Com a morte de Owerê, Olunwi foi escolhido pelo conselho para sucedê-lo no comando de Ifé, mas não aceitou o título de Obatalá, sendo apenas conhecido como oni (dono).

Em razão da saga pela busca da nova terra, Ifé ganhou a aura de “terra prometida”, “cidade sagrada”. E assim foi perpetuada sua fama.

Olunwi, com o passar dos anos, mostrou-se um rei sábio e generoso. Evitou guerras, desenvolveu Ifé e a fez crescer a custa de inúmeros acordos de paz que incorporavam aldeias e tribos, além de ajustes comerciais que deram pujança à cidade, fazendo-a prosperar. Por tudo isso, o oni de Ifé passou a ser respeitosamente chamado de Odudua (a cabaça da vida, de onde se desenvolve a existência e o destino).

Ifé seria habitada desde o século VI, conforme conclusão de arqueólogos, mediante testes feitos com radiocarbono em materiais de escavações do local.