ODUDUA E OBATALÁ: OS FUNDADORES DE IFÉ
As proezas dos grandes obas e onis, deu notoriedade a seus nomes e fez com que fossem geradas lendas que os imortalizaram.

Nomes como Obatalá e Odudua, são até hoje mencionados em lendas (itãns), através das quais, pelas metáforas ficcionais, contam a história de seus povos e civilizações.

Ifé teve tamanha importância na formação cultural e política do povo iorubá, que algumas lendas se referem à constituição desta cidade, como a própria criação do mundo.

De acordo com as lendas iorubanas até hoje propaladas, Ifé seria o umbigo do universo, a fonte de todas as coisas, o lugar de onde os homens se espalharam sobre a terra.

Existe um mito de que Oludamaré (o deus supremo), encarregou Obatalá de criar o mundo, e este se embebedou pelo caminho e não fez a tarefa ordenada. Odudua vendo isso, pede a Oludamaré a missão que era de Obatalá. Nisso Odudua fica sendo o senhor da criação, enquanto a Obatalá é conferida a tarefa posterior de criar os seres.

O itãn ainda fala que em certo momento, os filhos e os netos de Odudua saíram terra afora para fundar outros reinos, como Ketu, Owo, Ila, Benim, Popó, Save, Ijebu, Ondo, Ilexá, Ode, Ekiti, Akure, Ake, e ainda assumir alguns, como Irê e Oyó.

Pierre Verger e Robert Smith, consideram plausíveis estas possibilidades, posto que todos estes reinos passariam no futuro a compor o grande Iorubo, consolidando a cultura iorubá, seus costumes, sua religiosidade e seu idioma.

Autores como Alberto da Costa e Silva, tentam separar o místico da realidade, fazendo observações de que Odudua e Obatalá, não vieram do céu e sim eram líderes de distintas comunidades.

Ifé, por ter sido fundada por lendários reis como Obatalá e Odudua, e ainda por estar no centro de outros reinos administrados por descendentes destes, passou a ser uma referência religiosa de toda a região.

“Tida como o centro espiritual dos iorubás, Ifé talvez tenha, durante muito tempo, recebido tributo e homenagem de vários outros estados cujas dinastias reclamavam a descendência de Odudua e mantinham possivelmente certa forma de vassalagem em relação ao oni.”, relata Costa e Silva em sua obra “A Enxada e a Lança”. E arremata no mesmo livro: “..., Ifé teria crescido de um santuário, concentrando-se no seu rei, ou oni, o templo e o palácio.”

Costa e Silva, refere-se a Ifé como sendo a própria “...Roma dos iorubanos,...”