HOJE É A VEZ DE IBARÁ, A CIDADE DE YEMANJÁ –
Ibará era conhecida pelo culto à deusa Yemonja, que se realizava à beira do Rio Lakaxá, afluente do rio Ogun. Ali, as mulheres levavam seus filhos para serem banhados nas águas sagradas, buscando a cura de enfermidades e a prevenção contra a morte prematura, problemas comuns no Continente africano desde aquela longínqua era.

Foi em Ibará que surgiu o culto à grande mãe Yemonjá (que quer dizer a mãe dos filhos peixes = Yeye Omo Ejá). As mães a saudavam: “Odoya!! ”, que significa “Mãe do Rio”!

Yemonjá era associada aos rios, à fertilidade das mulheres, à maternidade. Seu culto original era ligado à colheita e ao plantio de inhames (base da alimentação dos africanos) e também à pesca.

Sua imagem era representada por uma escultura de mulher gorda, de seios fartos apoiados nas mãos. Na cabeça, havia uma espécie de recipiente, onde eram colocados otás, axés e adereços.

No século XIX, devido às guerras yorubás-daomeanas, o Povo Egbá migrou para Abeokutá e juntamente para lá foi levado o culto à Yemonjá.

Embora tenha se iniciado em Ibará, o culto a Yemonjá ganhou força, notoriedade e tradição em Abeokutá. A partir dali, Yemanjá passou a ser reverenciada também pelos oyós, ijexás e tantos outros, chegando finalmente seu culto até o Novo Continente, com o comércio dos escravos africanos daquela região.

Nos dias de hoje, Ibará é conhecido como Ibará-Orilê e é um bairro de Abeokutá. Não confundir com a cidade de Ibará-Okê, este um município do Estado de Ogun.

Ibará-Orilê é um vilarejo pequeno, plano, que vive da atividade turística. Lá podem ser encontrados vários hotéis de redes internacionais de 4 e até 5 estrelas.

Em Ibará-Orilê, existe o principal templo de adoração a Yemanjá. Lá, em todos os anos é realizada uma procissão que inicia no rio Lakaxá (onde colhem água para os axés) e termina com a saudação a Olúbàrá (rei de Ibará).