Ketu ganhou fama e riqueza ao se transformar em importanteentreposto comercial das terras yorubás.

O Reino chegou a ter ceca de 30 mil habitantes, divididos em 15bairros: Idena, Massafè, Ijabo, Iradigban,Isako, Ijiba, Odi, Aro, Osè, Aguidigbo, Dagbanji, Iguiolu, Idajè, Asubi eIta-Oba (capital).

Cada bairro possuía sua própria milícia, comandada por umbalogun (iba l´Ogun - chefe de guerra). O contingente dessas milícias variavaentre cem e quinhentos homens.

Os soldados além de manejar seus facões e demais armas brancas,já utilizavam espingardas e canhões de origem européia, adquiridas junto acomerciantes de Badagri, Lagos e Porto Novo.

Sá, o décimo rei de Ketu, após Edé o mais famosos Alaketu,motivado pelos constantes ataques dos fons, resolveu aumentar a proteção dacidade, mandando construir muros, fossos e reforçando o portal de entrada, afamosa porta de Idena.

Dizem que Sá traçou pessoalmente os muros em torno da cidade,formando uma elipse um pouco irregular. O comprimento total tinha 3.300m, com 4m de altura. A parte maior media 1.100 m e a menor 965 m. Os muros resguardavamuma área de 85 hectares. Os fossos tinham entre 3 e 4 m de profundidade emediam de 5 a 8 m de largura.

A lenda conta que o rei Sá era mágico e por isso havia designadodois gigantes para construir a muralha: Ajibodu e Oluwodu. Ambos dormiam de diae só trabalhariam à noite. Por isso ninguém os via.

Para materializar a história, foi desenhada a marca de umaenorme mão na parte interna do muro, próximo à entrada do portal.

O mítico portal de entrada da cidade de Ketu foi chamado deAkaba Idéré (a porta de Iderê – cidade natal do seu construtor); depoisapelidada de Odi-Ona (o caminho está fechado) e finalmente imortalizada comoAkaba Idena (a porta de Idena).

Dizem que o arquiteto que a construiu, consagrou o portal comrituais e sacrifícios, conferindo à mesma, poderes sobrenaturais.

Até mesmo nos dias de hoje, tradicionalmente são imoladoscarneiros ou cabritos em louvor ao espírito guardião da Porta de Idena. Nopassado, em épocas de guerras, bois e até humanos eram imolados ao portal.

Em 1886, quando Ketu foi tomada pelo rei Glele, o portal foiarrancado do lugar de origem e levado como troféu para o Abomé.

Os antigos contam que chegando no reino usurpador, o portalteria se erguido sozinho, mostrando o descontentamento do espírito do Portal.

O Portal de Idena foi reparado e ainda hoje é reverenciado emKetu.

A Cidade de Ketu chegou a ser a capital dos yorubás, em 1.500.

A luta pela terras cultiváveis e pelo controle do comércio naregião, levou a vários confrontos entre os ketus com os fons de Abomé.

A partir de 1880, no reinado de Osun Ojeku, o Reino de Ketu foitomado duas vezes pelos daomeanos e começaria a ser devastado. Milhares decidadãos de Ketu seriam então aprisionados e vendidos como escravos,praticamente extinguindo sua história, sua cultura e sua religião nas terrasafricanas. A tradição de Ketu mudaria seu endereço para o Brasil...

Em 1886, Ketu foi totalmente conquistado pelo Daomé, passando aser regido por Agidigbo Hungbo. Sete anos depois (1893), a França toma a Cidadee a torna um protetorado.
No ano de 1963, já no século XX, o Estado deKetu é extinto, enquanto o reinado era de Alamu Adéwori Adégibité, o 48ºAlaketu